Assado de couve-flor, alho-poró e queijo de cabra / Cauliflower gratin with leek and goat’s cheese

* Scroll down for the English version!

Não sei se vocês já perceberam, mas eu tenho obsessões que vêm em fases. Talvez “obsessão” seja uma palavra pesada demais. Eu diria que se trata de um tipo de paixão. Daquela bem intensa mas fugaz, que dura alguns meses. Quase como um início de namoro que não vai pra frente.

Os alvos dessa minha paixão variam, tão volúvel é o meu apetite. Certa época, estou completamente apaixonada por gorgonzola e em outro momento, enjoo e fico meses sem comer. Outra vezes é com tomate seco, ervilha ou massas. Os mais recentes queridos são queijo de cabra e couve-flor. Os dois abundam por aqui e ainda não chegaram no limbo terrível dos ingredientes dos quais enjoei. Mas tudo passa, não é? O jeito é aproveitar a fase ;-)

Esse prato é bem completo e delicioso. Existem muitas formas de fazer. Eu preferi cozinhar a couve-flor no forno, já que morro de dó de ferver vegetais em água e perder todos os nutrientes na hora de coar. Fiquem à vontade para inventar!

Adaptei a receita do blog Virtually Homemade.

Ingredientes:

  • 1 couve-flor lavada e cortada em pedaços
  • 1 alho poró
  • Sal a gosto
  • 150g de cream cheese
  • 150g de queijo de cabra (de preferência, cremoso)
  • Azeite

Ligue o forno a 200ᵒC. Espalhe a couve-flor em um tabuleiro com um pouco de sal e azeite. Asse por 30 minutos ou até ficar tenra.

Enquanto isso, lave o alho poró e pique em pedaços pequenos. É importante fazer cortes longitudinais e lavar de cabeça para baixo, com bastante água. Isso evita aqueles montinhos de terra entre as folhas. Cozinhe o alho poró até tenro com um pouco de sal e azeite.

Retire a couve-flor do forno e junte com o alho poró.

Misture os vegetais com os queijos e espalhe em um pirex ou vários potinhos. Asse até que o topo fique dourado.

Sirva quente! Essa receita serve 4 a 6 pessoas.

I don’t know if you have noticed, but I get obsessed sometimes. Perhaps “obsession” is too strong a word. I could call it infatuation or passion. That kind of passion that intense but fleeting, that only lasts a few months. Almost like the beginning of a relationship that doesn’t go forward for long.

The “targets” of my passion vary a lot, since my appetite is so fickle. At times, I’m completely in love with blue cheese and some time later I’m sick of it and it takes months before I eat it again. This has happened to sundried tomato, peas and pasta. My most recent darlings are goat’s cheese and cauliflower. You might have noticed that they appear here often and haven’t yet reached the dark pit of forgotten ingredients. But things change, right? I might as well enjoy while I can ;-)

This dish is quite complete and delicious. There are several ways to do it. I chose to cook the cauliflower in the oven, since it breaks my heart to boil vegetables in water and lose all the nutrients after draining them. So feel free to experiment!

I adapted this recipe from Virtually Homemade.

Ingredients:

  • 1 cauliflower – washed and chopped into small florets
  • 1 leek
  • Salt to taste
  • 150g of cream cheese
  • 150g of goat’s cheese (preferably creamy)
  • Olive oil

Turn the oven on at 200ᵒC. Spread the cauliflower on a tray with a little olive oil and salt. Bake for about 30 minutes or the cauliflower is tender.

Meanwhile, wash the leek and chop into small pieces. It’s important to make lengthwise slashes and wash it upside down with lots of water. This helps getting most of the dirt out. Cook the leek until tender with some olive oil and salt.

Remove the cauliflower from the oven and mix with the leek.

Add the two types of cheese and assemble it on a nice baking tray or several ramekins. Bake until golden on top.

Serve warm. This recipe serves 4 to 6 people.

Galette de abóbora e queijo de cabra / Pumpkin and goat’s cheese galette

*Scroll down for the English version!

Eu nem sempre gostei de abóbora. Isso pode parecer um sacrilégio, especialmente vindo de uma vegetariana. Mas como eu já disse antes, isso tem muito a ver com a forma como o vegetal é cozido. Abobrinha derretida, beterraba cozida demais, e qualquer vegetal fervido até perder a cor e os nutrientes não agradam a ninguém. Pelo menos até onde eu entendo ;-)

Fui descobrir o potencial da abóbora depois de adulta. Nunca fui de recusar comida e sempre comi o que estava na mesa, mas comer com prazer mesmo, nem sempre. Mas hoje em dia, quando cozinho, as minhas formas favoritas são abóbora bem doce em alguma sobremesa, uma sopa bem saborosa ou se o prato é salgado, combinando com um queijo forte ou algo de sabor bem distinto.

Desafio os odiadores de abóbora a não gostar dessa torta. A canela e o açúcar ajudam a abóbora a caramelizar e ficar docinha e deliciosa. Ela praticamente derrete na sua boca. O queijo é intenso e salgado dando ao prato um contraste perfeito.

Aliás, é bom dizer que galette é simplesmente uma torta achatada e meio sem formato. Ela não é moldada por um recipiente, mas acompanha a forma feita a mão pela(o) cozinheira(o). A massa que eu usei é um tipo de “shortcrust” chamado Pâte Brisée. Ele leva bastante manteiga e fica crocante e muito saboroso depois de assado. Adaptei uma receita linda que achei no Savory Simple para fazer esse post.

Ingredientes para a massa:

  • 170g de farinha
  • ½ colher de chá de sal
  • 100g de manteiga congelada – picada em cubos
  • ¼ xícara de água fria

Ingredientes para o recheio:

  • ½ abóbora moranga
  • 1 cebola picada em cubinhos
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 2 colheres de sopa de açúcar mascavo
  • 1 pitada de canela
  • ½ xícara de queijo de cabra (qualquer tipo) – picado em cubinhos ou esfarelado
  • Azeite
  • Sal a gosto

Ligue o forno a 200°C.

Misture a farinha, manteiga e sal em um processador de alimentos ou mexa com as mãos, quebrando a manteiga. O resultado final parece com farelos de pão. Eu gosto de deixar a manteiga bem fria, para que ela mantenha a consistência na hora de assar. Normalmente pico em cubinhos e levo ao congelador um pouco antes de começar a fazer a massa.

Adicione a água até dar liga. Talvez você não precise de usar toda. Quando estiver homogênea, faça um disco com a massa, enrole em plástico-filme e leve à geladeira por pelo menos meia-hora.

Pique a abóbora em pedaços grandes, espalhe-a em um tabuleiro e regue com azeite. Coloque um pouco de sal e leve ao forno. Assim que estiver macia (aproximadamente 40 minutos), retire a abóbora do forno e com cuidado, remova e descarte a casca. Pique em cubinhos.

Doure a cebola com a manteiga em uma frigideira. Junte a abóbora, o açúcar e a canela. Cozinhe por alguns minutos mexendo bem, deixando a abóbora caramelizar no açúcar. Reserve.

Retire a massa da geladeira e abra com um rolo em uma superfície coberta com farinha até ficar fina. Faça um círculo de aproximadamente 30cm de diâmetro. Cubra um tabuleiro grande com papel manteiga e transfira a massa até ele. Caso ela esteja quebradiça, apoie-a no rolo e desenrole em cima do papel.

Espalhe a abóbora por cima, deixando uma borda de 5cm. Cubra a abóbora com o queijo de cabra.

Dobre o excesso de massa em direção ao centro, formando um círculo menor. Refrigere por 15 minutos.

Retire da geladeira e asse a 200°C por aproximadamente 45 minutos ou até a massa ficar firme. Deixe esfriar um pouco antes de partir. Prontinho!

Essa receita serve 4 a 6 pessoas.

I didn’t always like pumpkin. That might sound like a blasphemy, especially coming from a vegetarian. But as I’ve said before, this has a lot to do with how the vegetable is cooked. Mushy zucchini, overcooked beetroot or any other vegetable that is boiled until all color and nutrients are removed are not appealing to anyone. Well, as far as I know, of course ;-)

I found out the whole potential of pumpkin and squash as an adult. I never really said no to food and always ate whatever was on the table, but not always enjoying it. So nowadays, when I cook, I usually like some very sweet dessert dish, a rich soup or a savory recipe, which combines a strong cheese or another intense ingredient with the vegetable.

I challenge the pumpkin haters not to like this pie. The cinnamon and sugar help the pumpkin to caramelize and turn sweet and delicious. It practically melts in your mouth. The cheese is intense and salty and gives the dish a perfect contrast.

By the way, it’s good to clarify that a galette is basically a flat and free-form pie. It’s not molded by a recipient, but follows the shape made by hand by the cook. I used a type of shortcrust called Pâte Brisée. It takes a lot of butter and gets wonderfully flaky and full of flavor after baked. I adapted a beautiful recipe from Savory Simple to make this post. I used kabocha, a Japanese pumpkin or squash, but the original recipe calls for butternut squash. So feel free to choose!

Ingredients for the crust:

  • 170g of flour
  • ½ teaspoon of salt
  • 100g frozen butter – chopped into cubes
  • ¼ cup of cold water

Ingredients for the filling:

  • ½ kabocha pumpkin or 1 small butternut squash
  • 1 onion chopped finely
  • 2 tablespoons of butter
  • 2 tablespoons of brown sugar
  • 1 pinch of cinnamon
  • ½ cup of goat’s cheese – crumbled or chopped into pieces
  • Olive oil
  • Salt to taste

Turn the oven on at 200°C.

Mix the flour, butter and salt in a food processor or break the pieces of butter with your hands. I like using very cold butter, so that it holds its shape when baking. I usually chop it into cubes and freeze for a while before starting the pastry.

Add the water until you can make a ball with the dough. You might not need all of it. Once it’s smooth, make a disk with the dough, wrap it in cling film and take it to the fridge for at least half an hour.

Chop the pumpkin into large pieces, spread them on a large tray and drizzle with olive oil. Add a little salt and put it to the oven. Once it’s soft (after about 40 minutes), take it from the oven and carefully remove and discard the peel. Chop into small cubes.

Cook the onion with the butter on a frying pan. Once the onion has turned golden, add the pumpkin, sugar and cinnamon. Cook for a few minutes, stirring often. The sugar will help the pumpkin to caramelize. Set aside.

Remove the dough from the fridge and roll it until thin on a flour-covered surface. Make a circle of about 30cm of diameter. Cover a baking tray or sheet with parchment paper and transfer the dough onto it. In case it’s not very firm, use the rolling for support and unroll it on the paper.

Spread the pumpkin on top, leaving 5cm of dough on the outside with nothing on it. Cover the pumpkin with the goat’s cheese.

Fold the excess dough towards the center, forming a smaller circle. Refrigerate for 15 minutes.

Remove it from the fridge and bake at 200°C for about 45 minutes or until the pastry is firm. Let it cool for a while before cutting a slice. And it’s done!

This recipe serves 4 to 6 people.

Risoto de beterraba e queijo de cabra / Beetroot goat’s cheese risotto

* Scroll down for the English version!

Beterraba e queijo de cabra são uma dessas duplinhas invencíveis. Tipo goiabada com queijo, pão com manteiga, café com leite, areia e chinelo, eu e chocolate. Parece que um nasceu para o outro. Não usamos queijo de cabra com frequência no Brasil e infelizmente ele acaba não fazendo parte do nosso cotidiano. Mas encontrando um com preço moderado, sempre compro! Coisa linda!

Encontrei um queijo Minas feito com leite de cabra. Qualquer queijo de cabra funcionaria pra essa receita, desde que ele derreta. O importante é o sabor intenso e delicioso!

Procurei algumas receitas e usei uma parte de cada. Super simples. Olha essa cor!

Ingredientes:

  • 2 beterrabas grandes
  • 200g de queijo de cabra picado em cubos
  • 1 cebola picada
  • 1 xícara de arroz arbório
  • 2 colheres de sopa de manteiga
  • 4 xícaras de caldo de legumes
  • ½ taça de vinho (normalmente, uso o branco, mas como a beterraba já é doce, usei um tinto que estava bebendo rs)
  • 1 xícara de queijo parmesão ralado

Ligue o forno em temperatura alta (deixei o meu a 245°C). Lave as beterrabas e enrole-as em papel alumínio. Deixe assar por 45 a 60 minutos, até que estejam tenras (confira espetando com uma faca).

Ferva o caldo de legumes.

Retire as beterrabas do forno, pique em pedaços médios e bata no liquidificador ou em um processador (caso não tenha nenhum dos dois, pique em cubinhos pequenos).

Derreta uma colher de manteiga em uma panela grande e acrescente a cebola. Deixe a cebola cozinhar até ficar macia.

Junte o arroz e misture bem. Acrescente o vinho e mexa mais um pouco. Adicione as beterrabas e uma concha do caldo de legumes. Mexa vigorosamente durante todo o processo, para que o arroz solte o amido e a consistência do risoto seja cremosa. Vá acrescentando o caldo quando o arroz secar. Caso precise completar com mais líquido, coloque um pouco de água.

Na última água, coloque o queijo de cabra. Deixei pedaços médios porque gostei da ideia de encontrar pedaços no risoto.

Assim que o arroz estiver cozido e levemente al dente, desligue o fogo. Adicione uma colher de manteiga e o queijo parmesão. Misture e cubra com uma tampa. Deixe descansar por 5 minutos, antes de servir.

Essa receita serve 4 pessoas que se amam ou 3 bem gulosas ;-)

Beets and goat’s cheese are one of these invincible duos. Like bread and butter, coffee and milk, flip-flops and sand, me and chocolate. It’s as if one was born for the other. Unfortunately we don’t use goat’s cheese so often in Brazil so it’s not part of our daily menus. But I make it a goal to buy one whenever I can afford. Great stuff!
I found a typical Brazilian cheese made with goat’s milk. Any type of goat’s cheese that melts would serve for this recipe. The important thing is the intense, delicious flavor!
I looked for some recipes and used parts that I chose. It’s super simple. Look at this color!
Ingredients:
  • 2 large beetroots
  • 200g of goat’s cheese chopped into cubes
  • 1 chopped onion
  • 1 cup of Arborio rice
  • 2 tablespoons of butter
  • 4 cups of vegetable stock
  • ½ glass of wine – I usually use the wine one, but since the beets are already sweet, I used a red one I happened to be drinking ;-)
  • 1 cup of shredded parmesan cheese
Turn the oven on at high temperature (I left mine at 245°C). Wash the beets and wrap them on tin foil. Let them bake for 45 to 60 minutes, until they are soft inside (check with a knife).
Bring the vegetable stock to a boil.
Remove the beetroots from the oven, chop them into medium pieces and blend them or use a food processor (in case you don’t have either, chop them into little cubes).
Melt a spoon of butter on a large pan and add the chopped onion. Let it cook until tender.
Add the rice and mix well. Pour the wine and stir a little more. Mix in the beets and a ladle full of the stock. Stir vigorously during all the process, so that the rice will release the starch that makes the risotto so creamy. Pour more stock whenever the rice is beginning to dry. In case you need more liquid, use some water.
When you’re adding the last ladle of stock, mix in the goat’s cheese. I didn’t chop the pieces too small, because I like the idea of finding white spots of deliciousness on the risotto.
As soon as the rice is cooked and is a little al dente, turn the heat off. Add a spoon of butter and the parmesan cheese. Mix everything and cover with a lid. Let it rest for 5 minutes, before serving.
This recipe serves 4 people who love each other or 3 who are quite hungry ;-)