Moqueca de banana da terra / Plantain stew

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Acho que já falei aqui sobre a minha curiosidade com comida de litoral. Esses pratos fragrantes que levam peixes, algas ou crustáceos. Não sinto vontade de comer os animais em si, mas muitas vezes as receitas são tão lindas e parecem tão apetitosas, que eu me sinto compelida a experimentar uma versão vegetariana.

Moqueca é um bom exemplo. Leite de coco, dendê, coentro… não tem como dar errado! E é uma injustiça que os vegetarianos desse mundão não comam também, não é? O jeito é improvisar. Já dei aqui uma versão de moqueca com vegetais. Essa aqui é linda de morrer, exótica e super deliciosa. Além de ficar pronta em minutos! Comi em um restaurante e tentei reproduzir. Cheguei bem perto, modéstia à parte ;-)

Olha que lindeza!


Ingredientes:

  • 3 bananas da terra maduras
  • 1 cebola grande
  • 2 tomates
  • 1 pimentão
  • 200mL de leite de coco
  • 2-3 colheres de sopa de azeite de dendê
  • 1 maço de coentro fresco – lavado e picado
  • Sal a gosto
  • 1 colher de sopa de óleo

Pique as bananas em palitos não muito finos. Pique os tomates e a cebola em cubinhos e o pimentão em tiras (não usei porque não tinha em casa, mas recomendo!).

Em uma panela, aqueça o óleo com a cebola e um pouco de sal. Cozinhe até que ela fique tenra. Junte os tomates e deixe cozinhar até derreterem. Acrescente o pimentão e cozinhe por mais alguns minutos.

Coloque as bananas na panela e junte o azeite de dendê e o leite de coco. Após alguns minutos as bananas vão começar a amolecer. Desligue o fogo. Sirva quente, salpicando folhas do centro fresco. Eu gosto de usar arroz e farofa (ou farinha de mandioca purinha mesmo) como acompanhamento. Delícia!

Essa receita serve 4 pessoas.

I think I’ve already mentioned my curiosity about seafood. I mean those fragrant recipes served with fish, seaweed or crustaceans. Not that I feel like eating the animals themselves, but sometimes the dishes look so beautiful and appetizing that I feel compelled to try a vegetarian version.

Moqueca is a good example. The original version of this stew takes fish, but the rest of the dish is what attracts me. Coconut milk, palm oil and fresh coriander… there’s no getting it wrong! And I think it’s unfair that the vegetarians of the world should be deprived of such a delight. So I had to improvise. I’ve already posted a version of moqueca with vegetables. The one on this post is so beautiful, exotic and delicious! Besides, it gets ready in just a few minutes! I ate it at a restaurant and tried to reproduce it. I got pretty close, thank you very much ;-)

I know there’s a lot of controversy and environmental concern about palm oil. But in this recipe we use only a tiny bit, so don’t feel bad. For those of you who never used it to cook (here in Brazil we call it dendê and use it with moderation in a number of dishes), it’s very strong and absolutely delicious! Just go easy on it if you have a sensitive digestive system.

Ingredients:

  • 3 cooking plantains
  • 1 large onion
  • 2 tomatoes
  • 1 bell pepper
  • 200mL of coconut milk
  • 2-3 tablespoons of palm oil
  • 1 bunch of fresh coriander – washed and chopped
  • Salt to taste
  • 1 tablespoon of oil

Chop the plantains into thick sticks. Chop the tomatoes and onion into little cubes and the pepper into strips (I didn’t use because I forgot to buy them, but I really recommend it!).

In a pan, heat the oil, the onion and a little bit of salt. Cook until tender and add the tomatoes. Let them start melting and add the pepper. Cook for a few minutes.

Add the plantains, the palm oil and the coconut milk. After a few minutes, the plantain will start getting softer. Turn the heat off and serve immediately. Sprinkle some coriander on top and serve with rice and yucca flour. Great stuff!

This recipe serves 4 people.

Canjica / Brazilian white corn porridge

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Eu sei que junho já passou, mas como o friozinho ainda está por aqui, dá tempo de falar de canjica, não dá? :-D

Essa é a minha época favorita do ano, que junta as festas juninas, o tempo frio e o meu aniversário (fiz 30, gente!). Tudo de bom! E tem festa mais divertida que a junina? Eu adoro os caldos, o quentão, os doces, as roupas, a dança, a fogueira… Mas para mim, a canjica é a rainha. Sem ela, não dá! Segue aí uma receita bem fácil que serve um batalhão! Divirtam-se!

Ingredientes:

  • 1 kg milho de canjica
  • 1 ½ litro de leite
  • 2 caixas (395g) de leite condensado
  • 1 caixa (200g) de creme de leite
  • ½ xícara de amendoim torrado moído
  • 2 pitadas de canela
  • Açúcar a gosto

Deixe a canjica de molho em água por algumas horas, até inchar bastante. Cozinhe em uma panela de pressão com água (se preferir, use leite) por aproximadamente 40 minutos. Escorra a água. Os grãos estarão tenros, mas não desmanchando.

Em uma panela grande, junte o milho de canjica, o leite, o creme de leite e o leite condensado. Deixe ferver por alguns minutos, e cozinhe em fogo baixo até que a canjica comece a engrossar. Confira o tempero. Acrescente a canela e o amendoim. Só isso!

Sirva quente, com mais amendoim em um potinho, para quem é viciado (como eu rs).

Essa receita serve umas 30 pessoas.

This is a very Brazilian recipe, which is usually served at a winter festival that happens in June. It is slightly cooler than usual (thank God), so we serve different kinds of soup, stews and a delicious version of mulled wine (with loads of cachaça and spices).

June is gone, I know, but since it’s still a little chilly, then why not? This is my favorite time of the year, since it combines the cold, this amazing festival and my birthday (I turned 30, folks!). All the good stuff! The food and drink served in “Festa Junina” (literally June Festival) is just awesome. And this one is for me, the queen of the party! It is basically a sweet white corn porridge. The recipe is pretty simple. The thing is finding the corn ;-)

Ingredients:

  • 1 kg of canjica corn (white corn)
  • 1 ½ liter of milk
  • 800g of sweet condensed milk
  • 200g of cream
  • ½ cup of toasted and ground peanuts
  • 2 pinches of cinnamon
  • Sugar to taste

Leave the corn immersed in water for a few water, until it absorbs most of it. Cook it in a pressure cooker with water (or milk) for about 40 minutes. Drain the water. The kernels will be tender, but not too soft.

In a big pot, put the canjica with milk, cream and condensed milk. Let it boil for a few minutes and cook in low heat until it starts to thicken. Check the seasoning. Add cinnamon and peanuts. And that’s it!

Serve warm with more peanuts on the side, for the peanut junkies (like myself).

This recipe serves about 30 people.

Feijoada vegetariana / Vegetarian Brazilian bean stew

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Feijoada é sem dúvida o prato mais típico do Brasil. Existem várias lendas sobre a sua origem, mas de acordo com os historiadores, ela vem de Portugal, onde era feita com feijão branco, carnes e vegetais. A versão brasileira é um tanto diferente e ganhou fãs por todo o mundo.

É sempre melhor servir no sábado ou domingo, por ser uma receita tão pesada. Ninguém aguenta trabalhar ao mesmo tempo em que digere tanta carne de porco! Rs Mas essa versão vegetariana tira a culpa de comer tanta gordura e torna possível ser servida até durante o almoço dos dias da semana :-)

Além de mais leve, ela é também mais barata e fácil de fazer. Não há carnes que ficam de molho por dias, nem mil partes de porco para serem compradas. Como os ingredientes são completamente diferentes, mudei bastante o processo, cozinhando os legumes e o feijão separadamente e juntando os dois ao final. E não decepcionou! Acabei não usando vários dos acompanhamentos, já que ela virou uma refeição completa. Mas fique à vontade para usar quais você quiser!

Ingredientes:

  • ½ kg de feijão preto
  • 2 cenouras picadas em palito
  • 3 batatas picadas em palito
  • 2 cebolas picadas em cubinhos
  • 350g de vagens cortadas em palito
  • 1 berinjela picada em pedaços médios
  • 2 linguiças vegetarianas cortadas em pedaços
  • 2 salsichas vegetarianas cortadas em rodelas
  • 3 dentes de alho amassados
  • 2 colheres de sopa de páprica picante defumada
  • 3 folhas de louro
  • Óleo
  • Sal a gosto

Acompanhamentos (opcionais):

  • Farinha de mandioca ou farofa
  • Couve refogada
  • Arroz
  • Fatias de laranja

Cozinhe o feijão em uma panela de pressão por 30 minutos com um pouco de sal e as folhas de louro.

Enquanto o feijão cozinha, lave e pique os vegetais.

Leve as cebolas e alhos a uma panela grande e deixe dourar em um pouco de óleo. Misture as salsichas e linguiças e deixe dourar. Junte a páprica e o sal. Acrescente os vegetais aos poucos. Eu coloquei as batatas e vagens primeiro, já que precisam estar bem cozidas. Assim que ficaram tenras, adicionei as cenouras e a berinjela.

Quando o feijão estiver cozidos e todos os vegetais estiverem tenros, junte os dois na panela grande e confira o tempero. Assim que o caldo engrossar, a feijoada está pronta!

Leve à mesa imediatamente, junto com os complementos que escolher.

Essa receita serve aproximadamente 8 pessoas.

Feijoada is undoubtedly the most typical Brazilian dish. There are several legends about the its origin, but according to scholars, it comes from Portugal, where it was made using white beans, meat and vegetables. The Brazilian version is a little different and got famous worldwide for its strong and delicious taste.

It’s always a good idea to serve it on Saturday or Sunday, since it’s such a heavy recipe. I mean, no one can work and digest all the pork at the same time! But this vegetarian version takes the guilt of eating all that fat out of the picture and can be served easily during the week :-)

Besides being lighter, it’s also cheaper and easier to make. There is no meat to submerge in water for days, nor several parts of pork to be bought. As the ingredients are so different, I completely changed the process, cooking the vegetables and the beans separately and putting them together in the end. And it didn’t let me down! I ended up not using all the typical side dishes, since it turned out to be quite a complete meal. But feel free to use whichever you want!

Ingredients:

  • ½ kg of black beans
  • 2 carrots – chopped into sticks
  • 3 potatoes – chopped into sticks
  • 2 onions – chopped finely
  • 350g of green beans – chopped into sticks
  • 1 eggplant – chopped into medium chunks
  • 4 vegetarian sausages – chopped into pieces (I used 2 thick smoked ones and 2 thin regular ones)
  • 3 cloves of garlic – smashed
  • 2 tablespoons of smoked hot paprika
  • 3 bay leaves
  • Oil
  • Salt to taste

Side dishes (optional):

  • Cassava (or yuca) flour
  • Stir fried kale
  • Rice
  • Slices of orange

Cook the beans in a pressure cooker for 30 minutes with some salt and the bay leaves.

While the beans cook, wash and chop the vegetables.

Take the onions and garlic to a big pot and let them brown with a little bit of oil. Mix in the sausages and cook for a bit. Add the paprika and salt. Stir in the vegetables, in stages. I put the potatoes and green beans first, since they have to be well cooked. When they got tender, I added the carrots and the eggplant.

When the beans are cooked and all the vegetables are getting tender, join everything in the big pot and check the seasoning. As soon as the broth thickens, the feijoada is done!

Serve immediately, along with the side dishes of your choice.

This recipe serves about 8 people.

Pão de queijo / Cheese bread

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Pão de queijo é um símbolo fiel de Minas Gerais. Algumas pessoas de outros estados já me perguntaram se os mineiros curtem mesmo tanto assim o salgadinho. Não seria aquele tipo de comida típica que ninguém consegue mais ver na frente? Bom, tenho certeza de que existe gente que se sente assim. Mas a minha relação com pão de queijo vai muito bem, obrigada. É impossível resistir àquele exterior crocante, ao recheio macio, ao sabor intenso de queijo e ao aroma incrível. Um pão de queijo bem feito é delicioso e reconfortante. Tomado com um cafezinho, é um ritual quase espiritual.

Há alguns anos, comecei a trabalhar em uma empresa que serve vasilhas enormes de pão de queijo nas reuniões mais longas. E que pão de queijo… atribuo a ele vários dos meus recém adquiridos quilinhos a mais ;-)

Devido a essa paixão descontrolada, decidi que tinha passado da hora de aprender a fazer esses pãezinhos em casa. Escolhi usar polvilhos doce e azedo, já que um ajuda a dar a consistência crocante do exterior e o outro, o macio do miolo. A primeira tentativa foi um desastre. As proporções estavam erradas e o tanto de queijo que eu usei não deu nada além de um cheirinho. Tentei de novo, usando uma receita diferente. Bem mais queijo e proporção diferente dos polvilhos. E aí, sim! Texturas certas, sabor bem mais intenso e aquele aroma. Aprendi essa versão com a Raiza do Dulce Delight, que, aliás, dá as dicas em português e inglês. Só acrescentaria um pouco mais de queijo. Segue então a receita com essa pequena alteração.

– Aliás, se você não conseguir encontrar os dois tipos de polvilho, use só um, sem problemas. O seu pão de queijo ainda vai ficar bom. A Raiza também peneira os polvilhos, mas eu sou simplesmente preguiçosa demais pra ter esse cuidado todo ;-)

Ingredientes:

  • 150g de polvilho azedo
  • 250g de polvilho doce
  • 2 pitadas de sal
  • 20g de manteiga com sal
  • 55ml de óleo (mais um pouco para untar suas mãos)
  • 300ml de leite
  • 2 ovos
  • 250g de queijo minas ralado (a Raiza sugere substituir por queijo cotija ou monterey jack caso você não esteja no Brasil)
  • 150g de queijo parmesão ralado

Ligue o forno a 180°C (o meu que é fraco, liguei a 200°C).

Junte o leite, a manteiga e o óleo e leve ao fogo médio. Desligue assim que ferver.

Enquanto os líquidos esquentam, junte os dois polvilhos e o sal em uma vasilha grande. Derrame os líquidos fervidos nos polvilhos e misture com um garfo. Agora é a hora de colocar a mão na massa. Sove a mistura até atingir uma consistência homogênea.

Acrescente os ovos e sove mais. Nessa hora, a massa vai deixar de ser linda e homogênea e vai começar a grudar na sua mão. Tenha paciência, pequeno padawan, é isso mesmo. Tudo vai dar certo!

Acrescente os queijos e misture de novo.

A massa está pronta para enrolar (essa é a única parte mais chatinha do processo). Como ela é muito grudenta, o ideal é passar óleo nas mãos para fazer as bolinhas (tive que lavar as mãos, tirar o excesso da massa e passar mais óleo umas duas vezes). Pegue um pouco de massa e enrole nas duas mãos (usei uma colher de sopa cheia como medida). Coloque em tabuleiros sem untar. Fiz pães de queijo pequenos e consegui 24 unidades.

Leve ao forno por 25 a 30 minutos ou até atingirem a coloração desejada. Sirva os pães de queijo quentinhos!

Cheese bread is the perfect symbol for Minas Gerais, the state where I live in Brazil. Some people from other states have asked me if we really dig it so much. Wouldn’t it be that kind of typical food that you just can’t stand anymore? Well, I’m sure there are people who feel like that. But my relationship with cheese bread goes very well, thank you very much. It’s impossible for me to resist to that crunchy crust, to the softness in the middle, to the intense cheese flavor and incredible aroma. Well-made cheese bread is delicious and comforting. And eaten while drinking coffee, makes it almost a spiritual ritual.
Some years ago I started working for a company which serves loads of cheese bread on huge bowls during the longs meetings. And what cheese bread that is… I blame it for several of my recently acquired extra kilos ;-)
Due to this uncontrollable passion, I decided that it was past time I learned how to make these buns at home. I chose to use “sour” and “sweet” manioc starch, since one helps achieve the crunchy consistency on the outside and the other makes the middle very soft. My first attempt was a disaster. The proportion was all wrong and the amount of cheese that I used was barely enough to make it smell like cheese bread. So I tried again with a different recipe. I used lots more cheese and different amount of starches. And there is was! Right texture, intense flavor and the right aroma. I learned this version from Raiza from Dulce Delight, who, by the way, also shares her recipes in Portuguese and English. I would only add a bit more cheese. So here goes the recipe with this little change.
– By the way, if you can’t find the two kinds of starches, don’t fret. You’ll still get good cheese bread using only one. Raiza also sieves her starch, but I just can’t be bothered, I’m just too lazy for that ;-)
Ingredients:
  • 150g of sour manioc starch
  • 250g regular (sweet) manioc starch
  • 2 pinches of salt
  • 20g of butter
  • 55ml of oil (plus some more for your hands)
  • 300ml of milk
  • 2 eggs
  • 250g of shredded “Minas” cheese (Raiza suggests replacing this with cotija cheese or monterey jack in case you’re not in Brazil)
  • 150g of shredded parmesan cheese
Turn the oven on at 180°C (since mine is not that awesome, I used it at 200°C).
Boil the milk, butter and oil together.
While the liquids heat up, assemble the two starches and the salt on a large bowl. Pour the boiling liquids over the starches and mix with a fork. Now it’s time to get your hands dirty. Knead the mixture until you get a smooth dough.
Add the eggs and knead some more. This is when your beautiful smooth dough will become a horrible sticky mess. Be patient, little padawan, that is how it goes. Everything will be all right.
Add the two types of cheese and mix in the dough.
Now all you need to do is make little balls. Ok, that’s the annoying part of the process, but it gets much easier if you grease your hands with oil. I had to wash my hands, remove the excess batter and use more oil twice. So all you need to do is spread some oil on your hands and roll bits of dough on it (about the size of a tablespoon). Place them on trays, no need to grease them. I made sort of small cheese breads and got 24 units.
Take them to the oven and bake for 25 to 30 minutes or until they reach the desired color (I like mine slightly brown on the sides). Serve them while still warm!