Sopa de baroa e amêndoas / Arracacha and almond soup

* Scroll down for the English version!

Por ser ovolactovegetariana há tantos anos, eu tenho alguma dificuldade em pensar eu um cardápio inteiro vegano. É uma questão de costume. Da mesma forma que muita gente fica chocada por eu ser vegetariana me pergunta o que sobra pra eu comer (mas gente, como assim? Eu só não como carne!), eu tenho a tendência de depender de laticínios e usá-los na maioria das minhas receitas.

Mas tenho tentado fazer esse exercício. Além de a dieta vegana ser mais saudável (a digestão dos veganos é a coisa mais linda!), os pratos podem ser lindos e deliciosos, desde que você seja criativo. E muitas vezes, ficam bem mais em conta.

Esse não é o caso rs. Batata baroa não é lá tão baratinha e amêndoas costumam pesar no bolso. Mas vale à pena. Essa sopa é incrível e muito fácil de fazer. Olha que maravilha!

Adaptei a receita do blog lindo Green Kitchen Stories.

Ingredientes:

  • 4 batatas baroa
  • 1 cabeça de alho
  • 1 cebola
  • Azeite
  • 1 xícara de amêndoas sem sal
  • Água
  • Sal a gosto
  • 20 uvas (opcional)
  • Tomilho (opcional)

Pré-aqueça o forno a 200ᵒC. Pique a batata em pedaços médios. Descasque o alho e a cebola e pique em pedaços. Regue com um pouco de azeite e polvilhe duas pitadas de sal. Arrume em um tabuleiro e leve ao forno por aproximadamente 40 minutos ou até começar a dourar.

Enquanto isso, ferva dois copos de água em uma panela e acrescente as amêndoas. Cozinhe por 5 minutos. Retire da água e assim que esfriar, remova as cascas. Elas saem facilmente.

Quando as batatas, cebola e alho estiverem tenros, retire-os do forno. Junte os legumes e as amêndoas descascadas com dois copos de água. Use um mixer para bater até ficar completamente homogêneo. Caso não tenha um mixer, bata em um liquidificador. Confira o tempero. Caso a sopa esteja muito seca, acrescente mais água. Cozinhe até ferver.

Sirva imediatamente com um fio de azeite, uvas e folhas de tomilho fresco. Infelizmente, eu esqueci de comprar o tomilho… rs

Essa receita serve 5 pessoas.


Being an ovo-lacto vegetarian for so many years, I have some trouble coming up with a whole vegan menu. It’s a matter of habit, I know. The same way some people are flabbergasted that I’m a vegetarian and ask me what’s left for me to eat (come on guys, the ONLY thing I do NOT eat is meat!), I tend to depend on dairy products and use them on most of my recipes.

Nevertheless, I have been trying to make this exercise. Besides being much more healthy diet (vegans have an amazing digestive system, it’s a thing of beauty!), the dishes can be beautiful and delicious, as long as you get creative. And they’re often cheaper.

Unfortunately, this is not the case (in Brazil, at least). The root that I used (arracacha) is typical to South America and even here it is a bit expensive (and so are almonds, by the way). But it’s worth it. This soup is amazing and so easy to make!

Now if you’re not from here, I have no idea if you’d be able to find arracacha. But fear not, there are replacements. In fact, you can stick to the original recipe (from Green Kitchen Stories) and use parsnip or parsley root.

Ingredients:

  • 4 arracachas or parsnips or parsley root
  • 1 garlic bulb
  • 1 onion
  • Olive oil
  • 1 cup of almonds
  • Water
  • Salt to taste
  • 20 grapes (optional)
  • Thyme (optional)

Turn the oven on at 200ᵒC. Chop the roots into medium-sized chunks. Peal the garlic and onion and chop them as well. Drizzle with a little bit of olive oil and sprinkle some salt. Spread everything on a tray and bake for about 40 minutes or until it all starts getting golden.

Meanwhile, boil 2 cups of water on a pan and add the almonds. Cook for about 5 minutes. Remove them from the water and as soon as they get cooler, peal each of them.

When the roots, onion and garlic are soft, remove them from the oven. On a pan, put the vegetables, the almonds and 2 cups of water. Puree everything using an immersion blender, until the mixture gets completely smooth. In case you don’t have one, use a food processor or regular blender. Check the seasoning. In case the soup is too thick, add more water. Let it cook until it boils.

Serve at once with a drizzle of olive oil, grapes and a spring of fresh thyme. Unfortunately, I forgot to buy thyme…

This recipe serves 5 people.

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Escondidinho de baroa, cogumelos e alho porró / Mushroom and leek Shepherd’s Pie

* Scroll down for the English version!

Trabalhei por um tempo em uma pousada na Inglaterra. A região onde eu morava era bem isolada, longe de tudo. Cabras, gado de altitude (lindo e peludíssimo, por sinal), montanhas, estradas cercadas por pedras… era tudo o que as redondezas tinham a oferecer. Não encontrei muito da cultura que tanto esperava achar, mas gostei muito da natureza em si.

Atrações naturais à parte, a nossa pousada era até adorável. A decoração era horrível, mas a construção em si era linda e a comida do chef suíço, maravilhosa! Foi a primeira vem em que ouvi falar em “shepherd’s pie”. Imaginei aquela torta exótica, cheia de carnes estranhas e massas complicadíssimas. Para a minha surpresa, o prato típico do Reino Unido era basicamente um escondidinho de carne ;-) Não sei se nós copiamos a ideia, mas como ele data do século XVIII, imagino que não inventamos primeiro.

Como a versão brasileira, o prato consiste em uma “torta” de carne coberta com purê de batata. Muita gente usa lentilhas ou cogumelo para substituir a carne. Resolvi inovar um pouco na mistura e no purê. E funcionou super bem!

Ingredientes:

  • 500 batata baroa
  • 2 colheres de sopa manteiga
  • 1 alho porró
  • 200g cogumelos paris
  • 200g cogumelos shitake
  • 1 colher de sopa de molho shoyu
  • Azeite
  • Sal

Ligue o forno a 200°C.

Cozinhe as baroas com um pouco de sal em uma panela de pressão por aproximadamente 30′ (você pode descascar antes ou tirar a casca depois de cozida, já que ela está quase derretida).

Amasse as batatas com um garfo ou usando um mixer, para evitar os caroços. Adicione a manteiga e misture bem. A textura muda completamente. Confira o tempero.

Corte o alho porró em fatias finas. Leve-os a uma frigideira com um pouco de azeite e sal até amolecer.

Pique os cogumelos em pedaços médios. Caso esteja usando cogumelos secos, deixe de molho em água morna por 30′ antes de usar. Junte os cogumelos ao alho porró e cozinhe por alguns minutos. Adicione o molho shoyu e o azeite.

Despeje os cogumelos em uma travessa. Espalhe o purê de baroa por cima e leve ao forno por 25′ a 30′.

Em teoria, o topo deveria dourar um pouco, mas isso não aconteceu no meu caso. Talvez seja uma propriedade da baroa, que fica mais cremosa. Ou é culpa do meu forno, que não é lá muito bom rs. Seja como for, não fez falta. Ficou bom demais!

Essa receita serve 2 pessoas.

I worked for some time at an Inn in England. The area where I lived was quite isolated, away from everything. Goats, highland cows (beautiful and super hairy, by the way), mountains, stone walls around the roads… this was pretty much all the region had to offer. I didn’t find all the culture that I thought I would, but I really enjoyed the nature all around.
Besides the natural attractions, our Inn was quite lovely. The décor was horrible, but the building itself was gorgeous and the food made by the Swiss chef was just amazing! This was the first time I heard of shepherd’s pie. I pictured in my mind that exotic pie, full of strange meat and really complicated dough. Such was my surprise when I learned that the typical British dish was basically the same of the Brazilian “escondidinho”. I don’t know if we copied the idea, but since the recipe dates from the XVIII century, I imagine that we didn’t really think of it first.
Just as the Brazilian version, the dish consists of a meat “pie” covered by mashed potatoes. Lots of people use lentils or mushrooms to replace the meat. I decided to innovate a bit on the filling and the mash itself. And it worked really well!
Ingredients:
  • 500 of arracacha (this is a root that is very common in Brazil. It is sweeter than a potato and looks like a yellow carrot. If you can’t find it – and you probably won’t, you can replace it by using 250g of common potatoes and 250g of sweet potatoes. Or you can use parsnip, which is supposed to be similar)
  • 2 tablespoons of butter
  • 1 leek
  • 200g button mushrooms
  • 200g shiitake mushrooms
  • 1 tablespoons of soy sauce
  • Olive oil
  • Salt
Preheat the oven at 200°C.
Cook the arracacha with a bit of salt using a pressure cooker for about 30’ (you can peel it before or just remove it after cooked, since it’ll be almost melting). Mash the roots with a fork or use a mixer, if you don’t like lumps. Add the butter and mix well. The texture changes completely! Check the seasoning.
Slice the leek finely. Cook it on a frying pan with a bit of olive oil and salt until it softens. Chop the mushrooms roughly. In case you’re using dry mushrooms, let them soak on warm water for 30’ before cooking. Put the mushrooms on the pan and cook a bit more. Add the soy sauce and the olive oil.
Pour the mushrooms on a tray. Spread the mash arracacha on top and take it to the oven for 25’ to 30’. In theory, the top should turn golden, but that didn’t happen in my case. Maybe it’s just about the arracacha, which gets really creamy. Or I can blame my oven which is really not the best. Whichever the reason, it doesn’t matter. It turned out pretty great!
This recipe serves 2 people.